VIDA SEM LUZ
Famílias vivem à luz de velas em comunidade sem energia elétrica no ES
O dia chega ao fim, e a moradora da pequena casa, no extremo Norte do Estado do Espírito Santo, Brasil, acende as velas para começar a preparar o jantar. Na mesa próxima, seu neto, Lorenzo, de 8 anos, aproveita a pouca iluminação para concluir o dever de casa. É no escuro que a família se alimenta. Na casa, não há acesso á energia elétrica. ‘’Já tem muito tempo que moramos aqui e não temos energia’’, desabafa Alzira Maria Silva do Nascimento. Ela e a família vivem em Carapina, comunidade localizada em Pedro Canário, a poucos quilômetros da divisa com a Bahia. Lá, moram na cerca de 37 famílias, das quais 11 não têm acesso à energia elétrica.
Uma vida sacrificada que eles não sabem quando poderá ser mudada. ‘’Nós precisamos de mais atenção no campo, de empresas que coloquem energia para os pequenos, para que eles possam sobreviver. Sem energia na roça, a gente não vive, desabafa Vilmar, esposo de Alzira. Eletrodomésticos novos, sem uso devido à ausência de energia elétrica, banho frio, celulares recarregados de forma improvisada através de baterias de carros, estudar à luz de velas, dentre outras dificuldades. O que parece a descrição do cotidiano de famílias de um longo tempo atrás onde a energia elétrica ainda não tinha seu uso difundido ou era inexistente é a realidade dos moradores da comunidade de Carapina, localizada no município de Pedro Canário, norte do Espirito Santo, Brasil em pleno ano de 2023. Tal fato impede que essas famílias vivam com dignidade, vez que não podem armazenar alimentos, pois não é possível utilizar eletrodomésticos básicos como geladeira.
As atividades mais corriqueiras como cozinhar e estudar por exemplo, são feitas a luz de velas. E ora, a empresa cobra R$ 25.000,00 para que seja feita a ligação de 50 metros de cabeamento para energia elétrica. Enquanto esse impasse ocorre, famílias não conseguem viver com dignidade, não tem direito a conservar seus alimentos, não tem direito a um banho quente, crianças estudam a luz de velas e assim seguem, buscando uma luz no final do túnel e que a situação seja resolvida.
Texto de Vilmara Fernandes – A Gazeta












